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domingo, 23 de janeiro de 2011

O PODER DAS PALAVRAS


O PODER DAS PALAVRAS

Em um lugarejo próximo a Cordilheira dos Andes. vivia um grupo de pessoas que dependiam da caça e pesca para sua sobrevivência. É comum na época de calor, os rios aumentarem o volume. Desde muito cedo, as crianças aprendem o duro ofício de se tornarem independentes.
O derretimento das geleiras torna essa tarefa ainda mais difícil. Os peixes se concentram na parte mais profunda dos rios, esse fenômeno faz com que adultos e crianças redobrem a atenção, as águas são muito frias e profundas, um pequeno descuido pode ser fatal. Os agasalhos usados para proteger do frio, podem triplicar de peso e isso fará com que um pequeno pescador afunde nas águas geladas, tendo poucos minutos de vida. Sofrerá uma hipotermia e seus pais não poderão fazer nada, pois estão distantes do lugarejo e qualquer ajuda não chegará a tempo.
Todos sabem do risco, mas a lei da sobrevivência fala mais forte.
 O dia estava perfeito, sem nuvens, e com sol deslumbrante e uma temperatura de três graus negativos. Todos estavam muito contentes com o clima e saíram em direção ao rio. As canoas são talhadas na própria madeira, isso evita qualquer tipo de infiltração e a flutuação torna-se mais estável na água. Era um grupo de doze pessoas, quatro, em cada embarcação. Nove adultos e três crianças, a mais velha tinha 11 anos.
Foi um dia que surpreendeu até mesmo os mais experientes, o pescado daria para alimentar a todos durante quinze dias, normalmente essas investidas no rio, não supriria, cinco dias.
Quando o grupo já remava para retornar a vila, aconteceu o inesperado. Uma barreira de gelo se desprendeu das rochas, causando ondas gigantes e obrigando o grupo a amarrar as canoas. Dessa forma, elas se tornam uma jangada e consegue superar obstáculos mais difíceis. O peso do pescado, auxilia na luta contra a força das águas. As corredeiras são formadas por pequenos corredores acidentados e cheios de pedras é preciso fazer muita força para controlar a embarcação. O cenário não poderia ser mais deslumbrante e ao mesmo tempo catastrófico. Quando o grupo conseguiu sair da parte mais crítica do rio, veio o silêncio que tomou conta de todos. Esgotados e respirando com dificuldade, observam o que deixaram para traz. No momento que todos olhavam para os peixes, o pai de uma das crianças percebe que seu filho não está nas amarras.
Ele procura, revira o que já está a vista e sente no coração a PROFUNDA DOR DA PERDA. Olha para seus companheiros, com os olhos mais profundos... E começa a perguntar: __ porque? __ Porque?   A incompreensão tomou conta daquele velho pescador. Tinha na sua humildade o agradecimento a Deus pela sua família e pelo o alimento. Mas fugia de seu entendimento, que o mesmo Deus pudesse retirar seu filho.
Durante meses, ele voltava ao mesmo lugar, com a esperança de encontrar seu filho. O velho pescador não sabia ler nem escrever, começou a pensar na sua insanidade, que se Deus lhe desse esse poder, poderia pedir ajuda para as pessoas que viviam nas cidades.
"Se apossaria do poder de escrever anúncios, cartas às autoridades. Poderia pedir ajuda a um grupo de busca".
Sua limitação intelectual, não o fazia enxergar que poderia pedir auxilio, mesmo que fosse quem é.
 Viveu sua vida inteira naquele vilarejo, afastado de tudo e de todos. Um dia, um grupo de turistas estrangeiros apareceu nas proximidades da vila e encontraram com o pescador. Ele estava no mesmo lugar aonde sempre ia na esperança de encontrar seu filho.
Quieto, silencioso, olhava para todos os lados, varria as áreas como uma visão de águia.
Uma mulher do grupo, inglesa, se apresentou como bióloga e perguntou qual o caminho mais curto para a cidade de Santiago?Quando ele observou um equipamento nas mãos da bióloga, (era um GPS), mas ele não sabia do que se tratava, apenas entendeu que ela poderia ajudá-lo. Foi então que ele ajoelhou-se a seus pés e implorando lhe pediu para encontrar seu filho.
Um interprete do grupo traduziu suas suplicas, mas disse por sua conta à inglesa, que era comum aquele tipo de apelo aos turistas. Mas mesmo diante do descaso do interprete ela resolveu ajudá-lo.
Eles o levaram para Santiago e lá traçaram um plano de buscas. Ouviram sempre que era impossível alguém sobreviver a tamanha destruição. Movidos pela força interior daquele pobre homem, eles estavam dispostos a devolver, mesmo que fosse o corpo de seu filho.
Com cartazes, cartas, anúncios  e um canal de televisão que se interessou pela história a noticia se espalhou e ganhou o mundo. Já haviam se passado sete meses desde o acidente. O pescador estava sentado em uma calçada e se questionava que o Deus que lhe dava o alimento não era o mesmo que havia levado seu filho. Neste momento, um homem de aparência rude, aproximou-se e perguntou se ele era o pescador que havia perdido seu filho. Ele demorou alguns segundos para responder, mas quando o homem fez o gesto de estender-lhe a mão, eles se abraçaram e choraram muito, sem que soubessem o motivo de tanta emoção. Quando o homem olhou em seus olhos e disse : 
"Seu filho está vivo e ele o havia encontrado na beira do rio e cuidou dos seus ferimentos... "Não sei ler nem escrever, moro do outro lado do rio e não conheço a civilização".
 Perdi um filho da mesma idade do seu e sei qual é a dor dessa perda, por isso atravessei o país para lhe devolver o que Deus lhe deu.
A criança estava dormindo em um hotel de Santiago e quando ele entrou no quarto, ficou parado, estático. Toda aquela dor transformou-se de novo no amor que ele jamais perdera.
A criança despertou e sentiu sua presença e gritou, CHAMANDO-O DE: "PAI!!!!!". Os dois foram ao chão e a felicidade era tanta, que ele não queria fazer mais nada a não ser abraçar seu filho querido.
Os três voltaram para o vilarejo.
 Ao homem rude foi dado o direito de viver em companhia dos habitantes da vila e nunca mais se sentiu só.
A bióloga inglesa, fundou uma ONG para alfabetizar as pessoas em lugares inóspitos.
A nós, resta entendermos que só amor supera o poder das palavras.


Autor: Carlos Gaia Lobato    

sábado, 22 de janeiro de 2011


O GRANDE DESAFIO...

Um dos assuntos mais complexos e talvez o mais polêmico é o que aborda as questões sociais. É preciso levarmos em conta alguns parâmetros para podermos entender onde nos encontramos, o que vivemos e para onde estamos caminhando... Compreender os fatos atuais das realidades sociais em que vivem grande parte das famílias brasileiras não é suficiente para definir regras e direcionar soluções. È necessário que aprofundemos mais em nossos antepassados para podermos compreender melhor o que precisamos fazer para termos o modelo de sociedade mais próximo possível do ideal para nossas culturas.
A felicidade é uma unanimidade, o dinheiro pode significar a decadência ou o apogeu.
Vou partir dessa premissa para que possamos seguir juntos em minha linha de raciocínio. Assim como nosso corpo é a imagem do que comemos, também nosso intelecto é o raio x da educação que recebemos. Mesmo aqueles que recebem a chamada "educação de berço" são deficientes intelectualmente. Vivenciamos vários casos de alunos que passam por sua vida acadêmica e continuam sem saber ler ou interpretar o que lêm. Esses são fatores fundamentais, básicos na vida dos chamados "futuros da nação". O que esperar de uma sociedade formada apenas por estátus? onde é mais significante ter um diploma do que propriamente absolver  conhecimento. Isso talvez explique por que existem tantos equívocos gerados por pessoas, que infelizes ou não, causam vitimas a todo momento: Engenheiros que não sabem fazer cálculos, médicos que não sabem diagnosticar, cirurgiões que não sabem operar ou simplesmente não sabem interpretar os procedimentos.
Recentemente, veio a tona o baixo índice de aprovados na prova da OAB, esse fato não é tão atual quanto recorrente, o baixo desempenho, principalmente no referente a avaliação de redação da instituição, revelam o nível intelectual daqueles que serão os futuros juízes. Já somamos hoje inúmeros equívocos de sentenças que custaram a vida de muitos inocentes. Quem não lembra dos irmãos que fugiram do padrasto e da própria mãe por que eram espancados? Eles chegaram até a assistente social que recebeu a ordem de um juiz para devolver as crianças para seus algozes. Dias depois eles foram encontrados esquartejados.
A deficiência na estrutura social vai além do pré-natal, ela passa pelos avós se estende para os pais que inevitavelmente irão de encontro as instituições para complementar a educação dos filhos. Podemos perceber que é impossível vivermos sós. Somos dotados de inteligência superior e não ocupamos os espaços que nos são reservados na cadeia alimentar, antes de sermos primatas, somos racionais e isso nos faz únicos, capazes e totalmente ilimitados.
Presenciamos a ascensão financeira de milhões de famílias por conta da fase econômica do país, a pergunta é: Estamos preparados para "TER" ?
É fato que os psicólogos mais renomados concordam que o limite é a chave para uma geração menos doentia e o dinheiro deve ser interpretado como complemento a educação e não a solução definitiva para todos os problemas.
As relações humanas estão deterioradas, nem os intelectuais se entendem, chefes de estado não demonstram boa vontade em dialogar, mesmo que a experiência histórica mostre que as guerras não são o melhor caminho.
Seria esses fatos uma prova que os modelos existentes hoje são ultrapassados? Os sistemas de governo existentes ao redor do mundo são eficazes?
Faz diferença para um ser humano que não tem o que comer quem é o deputado federal, o prefeito ou o vereador?
Países considerados ricos, deveriam ter mendigos ou abrigos a necessitados? Deveria ter necessitados?
Será que Nelson Mandela aprendeu tudo que sabe durante os 30 anos que ficou confinado ou já nasceu com o carisma de liderar?
Os brasileiros teriam ideia que um homem pobre, sem estudo e que foi para São Paulo em um pau-de-arara seria capaz de mudar o cenário econômico do Brasil?
Por que Chico Xavier é considerado, mesmo depois de morto, o homem que mais vende livros e o que mais tem suas obras traduzidas para outras línguas?
Madre Tereza, ajudou mais enfermos e necessitados em vida que qualquer secretária de saúde poderia fazer em 4 anos de mandato.
Qual o preço do respeito, da dignidade e da liberdade? Porque escravizar se é na liberdade de pensamento que se encontra as melhores soluções?
Existe uma revolução silenciosa acontecendo em nossa volta e as conseqüências já estão sendo catastróficas. A vida é a mãe de todas as coisas e ela busca os meios para continuar, não reconhece cor, credo ou posição social. Simplesmente "ela" contínua...
O mundo já passou por várias crises humanitárias, a mais conhecida foi a crise financeira de 1929. Mas outros estudos revelam que civilizações inteiras, desapareceram sem deixar vestígios, a diferença entre a crise de 29 e a civilização Asteca está em seus causadores.
A crise financeira foi gerada pela ambição humana e a extinção Asteca a natureza se encarregou.
Ao longo dos séculos, testemunhamos catostrofes provocadas pelos homens e as reações da natureza. Como podemos perceber, estamos em constante mudança, somos parte da natureza, é impossível que aja mudanças sem que sejamos atingidos.
O mesmo cenário em que nos encontramos agora, é o mesmo de muitos outros quadros pintados em tempos passados.
Junte o egoísmo, a fome, a concentração de renda, o desmatamento, a falta de diálogo, de intelecto  e você terá todos os ingredientes para uma catástrofe sem precedentes. Até no século passado isso era considerado utopico, hoje os magos, religiosos e afins ganham dinheiro pregando uma palavra que é fato.

Autor: Carlos Thoth.