O PODER DAS PALAVRAS
Em um lugarejo próximo a Cordilheira dos Andes. vivia um grupo de pessoas que dependiam da caça e pesca para sua sobrevivência. É comum na época de calor, os rios aumentarem o volume. Desde muito cedo, as crianças aprendem o duro ofício de se tornarem independentes.
O derretimento das geleiras torna essa tarefa ainda mais difícil. Os peixes se concentram na parte mais profunda dos rios, esse fenômeno faz com que adultos e crianças redobrem a atenção, as águas são muito frias e profundas, um pequeno descuido pode ser fatal. Os agasalhos usados para proteger do frio, podem triplicar de peso e isso fará com que um pequeno pescador afunde nas águas geladas, tendo poucos minutos de vida. Sofrerá uma hipotermia e seus pais não poderão fazer nada, pois estão distantes do lugarejo e qualquer ajuda não chegará a tempo.
Todos sabem do risco, mas a lei da sobrevivência fala mais forte.
O dia estava perfeito, sem nuvens, e com sol deslumbrante e uma temperatura de três graus negativos. Todos estavam muito contentes com o clima e saíram em direção ao rio. As canoas são talhadas na própria madeira, isso evita qualquer tipo de infiltração e a flutuação torna-se mais estável na água. Era um grupo de doze pessoas, quatro, em cada embarcação. Nove adultos e três crianças, a mais velha tinha 11 anos.
Foi um dia que surpreendeu até mesmo os mais experientes, o pescado daria para alimentar a todos durante quinze dias, normalmente essas investidas no rio, não supriria, cinco dias.
Quando o grupo já remava para retornar a vila, aconteceu o inesperado. Uma barreira de gelo se desprendeu das rochas, causando ondas gigantes e obrigando o grupo a amarrar as canoas. Dessa forma, elas se tornam uma jangada e consegue superar obstáculos mais difíceis. O peso do pescado, auxilia na luta contra a força das águas. As corredeiras são formadas por pequenos corredores acidentados e cheios de pedras é preciso fazer muita força para controlar a embarcação. O cenário não poderia ser mais deslumbrante e ao mesmo tempo catastrófico. Quando o grupo conseguiu sair da parte mais crítica do rio, veio o silêncio que tomou conta de todos. Esgotados e respirando com dificuldade, observam o que deixaram para traz. No momento que todos olhavam para os peixes, o pai de uma das crianças percebe que seu filho não está nas amarras.
Ele procura, revira o que já está a vista e sente no coração a PROFUNDA DOR DA PERDA. Olha para seus companheiros, com os olhos mais profundos... E começa a perguntar: __ porque? __ Porque? A incompreensão tomou conta daquele velho pescador. Tinha na sua humildade o agradecimento a Deus pela sua família e pelo o alimento. Mas fugia de seu entendimento, que o mesmo Deus pudesse retirar seu filho.
Durante meses, ele voltava ao mesmo lugar, com a esperança de encontrar seu filho. O velho pescador não sabia ler nem escrever, começou a pensar na sua insanidade, que se Deus lhe desse esse poder, poderia pedir ajuda para as pessoas que viviam nas cidades.
"Se apossaria do poder de escrever anúncios, cartas às autoridades. Poderia pedir ajuda a um grupo de busca".
Sua limitação intelectual, não o fazia enxergar que poderia pedir auxilio, mesmo que fosse quem é.
Viveu sua vida inteira naquele vilarejo, afastado de tudo e de todos. Um dia, um grupo de turistas estrangeiros apareceu nas proximidades da vila e encontraram com o pescador. Ele estava no mesmo lugar aonde sempre ia na esperança de encontrar seu filho.
Viveu sua vida inteira naquele vilarejo, afastado de tudo e de todos. Um dia, um grupo de turistas estrangeiros apareceu nas proximidades da vila e encontraram com o pescador. Ele estava no mesmo lugar aonde sempre ia na esperança de encontrar seu filho.
Quieto, silencioso, olhava para todos os lados, varria as áreas como uma visão de águia.
Uma mulher do grupo, inglesa, se apresentou como bióloga e perguntou qual o caminho mais curto para a cidade de Santiago?Quando ele observou um equipamento nas mãos da bióloga, (era um GPS), mas ele não sabia do que se tratava, apenas entendeu que ela poderia ajudá-lo. Foi então que ele ajoelhou-se a seus pés e implorando lhe pediu para encontrar seu filho.
Um interprete do grupo traduziu suas suplicas, mas disse por sua conta à inglesa, que era comum aquele tipo de apelo aos turistas. Mas mesmo diante do descaso do interprete ela resolveu ajudá-lo.
Eles o levaram para Santiago e lá traçaram um plano de buscas. Ouviram sempre que era impossível alguém sobreviver a tamanha destruição. Movidos pela força interior daquele pobre homem, eles estavam dispostos a devolver, mesmo que fosse o corpo de seu filho.
Com cartazes, cartas, anúncios e um canal de televisão que se interessou pela história a noticia se espalhou e ganhou o mundo. Já haviam se passado sete meses desde o acidente. O pescador estava sentado em uma calçada e se questionava que o Deus que lhe dava o alimento não era o mesmo que havia levado seu filho. Neste momento, um homem de aparência rude, aproximou-se e perguntou se ele era o pescador que havia perdido seu filho. Ele demorou alguns segundos para responder, mas quando o homem fez o gesto de estender-lhe a mão, eles se abraçaram e choraram muito, sem que soubessem o motivo de tanta emoção. Quando o homem olhou em seus olhos e disse :
"Seu filho está vivo e ele o havia encontrado na beira do rio e cuidou dos seus ferimentos... "Não sei ler nem escrever, moro do outro lado do rio e não conheço a civilização".
Perdi um filho da mesma idade do seu e sei qual é a dor dessa perda, por isso atravessei o país para lhe devolver o que Deus lhe deu.
"Seu filho está vivo e ele o havia encontrado na beira do rio e cuidou dos seus ferimentos... "Não sei ler nem escrever, moro do outro lado do rio e não conheço a civilização".
Perdi um filho da mesma idade do seu e sei qual é a dor dessa perda, por isso atravessei o país para lhe devolver o que Deus lhe deu.
A criança estava dormindo em um hotel de Santiago e quando ele entrou no quarto, ficou parado, estático. Toda aquela dor transformou-se de novo no amor que ele jamais perdera.
A criança despertou e sentiu sua presença e gritou, CHAMANDO-O DE: "PAI!!!!!". Os dois foram ao chão e a felicidade era tanta, que ele não queria fazer mais nada a não ser abraçar seu filho querido.
Os três voltaram para o vilarejo.
Ao homem rude foi dado o direito de viver em companhia dos habitantes da vila e nunca mais se sentiu só.
Ao homem rude foi dado o direito de viver em companhia dos habitantes da vila e nunca mais se sentiu só.
A bióloga inglesa, fundou uma ONG para alfabetizar as pessoas em lugares inóspitos.
A nós, resta entendermos que só amor supera o poder das palavras.
Autor: Carlos Gaia Lobato