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sexta-feira, 29 de abril de 2011

AS FOLHAS DE OUTONO



No exato momento em que as folhas soltarem para o espaço, haverá uma breve incompreensão para entendermos para onde elas irão. Os galhos ficaram esperando que outra sorte as traga de volta, renascidas e límpidas, com um verde mais brilhante que cera de chão.

O amanhecer já se confunde o espaço ao solo do infinito mundo cão. Será que teremos que juntar uma a uma para sermos a salvação?

O orvalho que molha a quem já não tem mais vida, suspira na infinita bondade, da solidariedade que não vemos mais ao redor e até aonde a vista alcança. Não há esperança. É a desconfiança que vaga a esmo, tentando buscar os frutos que foram plantados por aqueles que nunca amaram.

Ainda continuaremos por mais algumas décadas a buscar aonde as folhas renascem, mas sabemos que é praticamente impossível, por que todas as raízes secaram e ficaram vulneráveis aos olhos da impossibilidade.

O último suspiro se alheia a alma do oxi, dá pra perceber quanto é grande a vontade de viver. Expressa de maneira lúdica a sua dor, por que vários riem da sua derrota. Assim se vai espalhando a formula que deixa a infertilidade e a escuridão da fome cumprir a sua profecia.

Agora já não existe mais nada, apenas um vazio imenso. O lamento é a justificativa mais pífia que se pode sentir, a dor da solidão já faz sentido, a tristeza é única, não há concorrentes. Vejo no lamento que a vida não existe sem a cumplicidade da terra. Seremos salvos pela nossa própria derrota ou pela imbecilidade da guerra?